Na trilha da memória
"Quando comecei, tínhamos acabado de fazer grandes entregas no Kuwait e na Arábia Saudita. Eu nunca tinha visitado esses países antes e era empolgante fazer negócios lá", diz Esa Enqvist, que entrou na empresa em 1978 como engenheiro de vendas e depois se tornou CEO da Elematic Engineering antes de se aposentar em 2010. "A demanda era enorme e as entregas tinham de ser feitas rapidamente. Certa vez, estávamos negociando um acordo em Riad, na Arábia Saudita, e nosso cliente jogou os papéis de volta para nós, dizendo que a entrega deveria ser feita em novembro e não em maio, como havíamos proposto. Mas, no final, ainda conseguimos chegar a um acordo e finalizar o negócio", lembra Enqvist.
"Na década de 1980, desenvolvemos a compactação por cisalhamento, que tornou as extrusoras muito menos barulhentas. A tecnologia era revolucionária na época e seu desenvolvimento envolveu muito trabalho duro. Mas fomos bem-sucedidos e vendemos muitas extrusoras primeiro na Europa. Agora, essa tecnologia é usada em todo o mundo - mesmo algumas das extrusoras mais antigas ainda estão em uso", diz Tarmo Sahala, que entrou na Elematic em 1982 como engenheiro mecânico e agora trabalha como Diretor de Vendas da Área.
"Elematic forneceu muitas fábricas grandes para a Coreia do Sul no início dos anos 90 e os clientes frequentemente visitavam a sede da empresa na Finlândia para finalizar as negociações do projeto. Era uma cooperação muito estreita: quando estávamos anotando os detalhes, os clientes muitas vezes se sentavam atrás de nós, dizendo o que precisava ser mudado e assim por diante. Certa vez, nosso vendedor disse aos coreanos que meu marido e eu tínhamos cavalos. Eles ficaram entusiasmados com a oportunidade de andar a cavalo e vieram passar o fim de semana em nossa casa", diz Susanna Luoma, que entrou na Elematic em 1982 e atualmente é recepcionista.
"Minhas melhores lembranças são da Rússia, onde trabalhei em muitos projetos de Kaliningrado à Sibéria, desde o final da década de 1980 e início de 1990 e depois novamente desde o início dos anos 2000", diz Timo Ahlfors, que também entrou na Elematic em 1982 e agora é Gerente de Logística. "Uma vez eu estava em um carro com um cliente que me contava uma história em russo. Como eu tinha aprendido um pouco de russo e entendia o que ele dizia, apenas assentia com a cabeça. Quando chegamos ao destino, o cliente disse ao meu intérprete que o Timo é como um cachorro russo: ele entende tudo, mas não diz nada. Pelo mesmo motivo, também fui suspeito de ser um agente da KGB", conta Ahlfors, sorrindo.
"Muitos dos clientes da Elematic- mesmo os grandes - são empresas familiares e seu relacionamento conosco geralmente dura de uma geração a outra. Esse é especialmente o caso no sul da Europa, onde o cliente o convidará para jantares de família quando vocês se tornarem amigos. Lembro-me de um desses jantares em que o filho do proprietário tinha 5 anos de idade e havia aprendido um pouco de inglês. Agora ele dirige a empresa da família e ainda é nosso cliente", conta Tarmo Sahala com satisfação.